quinta-feira, 2 de maio de 2013

- Tahbilk Marsanne 2006 –





O Doce Néctar – Destaques do Livro: 1001 vinhos para beber antes de morrer


- Tahbilk Marsanne 2006 –

Origem: Austrália, Vitória, Goulburn Valley.
Características: Vinho branco seco, 12,5% vol.
Cepa: Marsanne



Tahbilk é a mais antiga produtora de vinho de Vitória fundada em 1860, pertence à família Purbrick desde 1925. O nome da propriedade deriva do aborígene tabilk-tabilk, que significa “lugar de muitas poças d´águas”. Ela produz dois vinhos especialmente bons: O Shiraz 1860, feito a partir de vinhas não enxertadas, que não foram atacadas pela Filoxera e datam de 1860, e o Marsanne, um vinho branco muito barato que desenvolve excelente complexidade com o envelhecimento na garrafa.

Marsanne é uma variedade rara de casta, e Tahbilk tem a maior plantação do mundo feita exclusivamente com ela. Sua terra natal e a região do Hermitage, no norte doRhône, onde se elabora um vinho branco seco admiravelmente concentrado. É também cultivada em pequenas quantidades nos Estados Unidos e na Suíça. As origens da Marsanne de Tahbilk remontam à década de 1860, quando enxertos do vinhedo St. Huberts, do vale do Yarra, chegaram a Goulburn. Atualmente a propriedade produz Marsanne com vinhedos que datam 1927.


Enquanto jovem, o nariz e o paladar mostram completa ausência de carvalho, aromas simples e frescos de limão, mel, e pêssego. Com cerca de cinco anos de envelhecimento na garrafa, desenvolve uma fragrância de madressilva muito pronunciada e tradicionalmente associada à Marsanne madura. Mesmo aos 10 anos, o vinho mantém-se notavelmente fresco e vivo. Sem dúvidas o Marsanne Tahbilk é um vinho branco que se tornou referência regional e, provavelmente, nacional.
-     Beber até 2016.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Jérôme Présvot La Closerie Cuvée Béguines NV



O Doce Néctar – Destaques do Livro: 1001 Vinhos para beber antes de morrer

Jérôme Présvot La Closerie Cuvée Béguines NV


Origem: França, Champagne, Montagne de Reims.

Características: Espumante branco seco, 12,5%.
Cepa: Pinot Meunier.



Jérôme Présvot é, em muitos sentidos, o vinicultor mais independente de Champagne, bem como um dos mais corajosos, dedicados, originais e poéticos











Há uma cor ouro-âmbar profundo com uma perlage delicada. O nariz é elegante e intenso com brioche, fermento, limão, torradas e interessantes especiarias exóticas, com notas de conhaque velho, avelã e caramelo até mesmo discretos. Em boca é cremoso, de corpo inteiro, redondo, bem equilibrado, elegante com sabores puros de lima, limão, especiarias asiáticas, nozes e torradas. Uma plenitude de poder e elegância que envolvem o palato completamente. O final longo, com frescura e elegância.




"Jerome Prevost, uma criança da década de 1960, assumiu ha de sua família 2,2 de vinhas em Gueux, em Montagne de Reims, na idade de 21. After selling his grapes to others, he started making his own wine when celebrated fellow-grower Anselme Selosse made space for him in his winery from 1998 to 2001. Depois de vender suas uvas para os outros, ele começou a fazer o seu próprio vinho, quando o famoso colega produtor-Anselme Selosse abriu espaço para ele em sua vinícola de 1998 a 2001. Attempting to get the best out of his vines, planted in the 1960s, he plows and uses bio-dynamic preparations. A tentativa de tirar o melhor proveito de suas videiras, plantadas na década de 1960, ele lavra a terra e usa extratos biodinâmicos. He ferments in wood (mostly barriques) and, standing conventional wisdom on its head, prefers the wine to have extended contact with lees from indigenous yeast in barrel, rather than with lees from selected yeast in bottle. Ele fermenta em madeira (principalmente barricas) e fazendo uso da sabedoria popular, prefere que o vinho tenha contato prolongado com borras de levedura indígena no barril, em vez de com borras de leveduras selecionadas em garrafa. Because of their richness and ripeness, they have only a very light dosage, leaving them Extra Brut. Por causa de sua riqueza e maturação, eles têm apenas uma dose muito leve, deixando-Extra Brut. He works by himself, makes only one wine, always from a single year, and always a single variety – Pinot Meunier. Ele trabalha sozinho, faz apenas um vinho, sempre a partir de um único ano, e sempre uma variedade única - Pinot Meunier. That may not sound so remarkable, but La Closerie Cuvee Les Beguines is an extremely interesting wine. “ Isso pode não parecer tão notável, mas o La Closerie Cuvee Les Beguines é um vinho extremamente interessante. "  Présvost diz que “ a Pinot Meunir é como uma criança: tem coisas interessantes para dizer, mas é preciso encorajá-la para que diga.” Ele oferece a casta todo incentivo necessário que ela precisa, ela responde com vinhos imensamente complexos, concentrados e exóticos.



segunda-feira, 13 de agosto de 2012


CHAMPAGNE, ESPUMANTE, FILTRADO E SIDRA: VOCÊ SABE QUAL É DIFERENÇA?
De vez enquando é bom relembrar o básico.




O vinho espumante se diferencia dos demais vinhos ditos “tranqüilos”, por ser elaborado a partir de duas fermentações alcoólicas. A primeira fermentação é a mesma que se faz

para produzir um vinho tranqüilo, sem “bolinhas”. Explicando brevemente, fermentação é o que ocorre quando a levedura que se encontra presente na uva come o açúcar, que também está presente nela, e o transforma em álcool e anidrido carbônico (as “bolinhas”). Por haver uma segunda fermentação que o espumante se torna tão especial. Mas há duas formas de se fazer esta segunda fermentação. A primeira, mais antiga, é denominada método tradicional ou champenoise (por que é assim que é feito o champagne). A segunda é denominada de método charmat.



 


 


 


Método Tradicional ou Champenoise







O método tradicional implica realizar esta segunda fermentação dentro da própria garrafa fechada, e por essa razão o espumante reterá o anidrido carbônico (o gás), é que o espumante terá as suas “bolhinhas”.











Método charmat





No método charmat a fermentação acontece em grandes tanques, denominados de autoclaves, e nos quais o anidrido carbônico liberado pela fermentação é retido.



O espumante resultante destes dois métodos terá características organolépticas distintas, tais como cor, sabor e aromas. Entretanto alguns parâmetros que são validos para os dois:



  • O teor alcoólico do espumante deve ser entre 10 e 13% em volume.
  • O anidrido carbônico (“bolinhas” ou perlage) deve ser proveniente exclusivamente da fermentação não pode ser adicionado), e sua concentração deverá ser de 4 atmosferas à 20°C.



Quanto à quantidade de açúcar presente no espumante ele pode ser classificado:







Classificação
Quantidade de açúcar por litro
Extrabrut
0g a 6g
Brut
6g a 15g
Sec / Seco
15g a 20g
Meio Seco / Meio Doce / Demi-Sec
20g a 60g
Doce
mais de 60g



Champagne


Reims durante o Natal
Reims durante o Natal


A denominação champagne é uma appellation dorigine contrôlée (denominação de origem controlada). A região de Champagne, na França, é a única no mundo que pode dar o nome de champagne aos seus espumantes.  Nem mesmo outras regiões da França podem chamar assim seus vinhos espumantes. Champagne tem um solo com características específicas que propiciam as uvas aptas para um champagne (Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier) e um clima frio.



Filtrado




É uma bebida proveniente do mosto de uva, parcialmente fermentado ou não, podendo ser adicionado de vinho de mesa.  Ele não é considerado vinho, porque este é exclusivamente a bebida oriunda da fermentação da uva sã, fresca e madura. Além disso, tem uma graduação alcoólica bem baixa, de no máximo 5% em volume.  E pode ter adição de anidrido carbônico em até três atmosferas.



SIDRA




Já a Sidra não é um espumante, nem vinho, nem é feito de uva. A sidra é umas bebidas fermentadas de maça, cuja graduação alcoólica varia de quatro a oito por cento em volume. Ao contrario do espumante é proveniente de uma única fermentação e tradicionalmente não é gaseificada.

No Brasil a Sidra foi regulamentada de uma forma um pouco diferente:

ü  Pode ser gaseificada

ü  Pode ser proveniente da fermentação do mosto da maça, do suco concentrado ou ambos, com ou sem adição de açúcar.

ü  Podem ser adoçada e receber outros aditivos (corante, aromatizante)

ü  Pode ser desalcoolizada

O resultado é um produto totalmente diferente do espumante.



Referências:
Lei do Vinho – Lei n. 7.678/1988 - Dispõe sobre a produção, circulação
e comercialização do vinho e derivados da uva e do vinho, e outras  providências.
Decreto do Vinho – Decreto n. 99.066/1990 - Regulamenta a Lei n.°
7.678, de 8 de novembro de 1988, que dispõe sobre a produção, circulação e
comercialização do vinho e derivados do vinho e da uva.
Lei de Bebidas – Lei n. 8.918/1994 - dispõe sobre a padronização, a
classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas.
Decreto de Bebidas – Decreto n. 6.871/2009 - Regulamenta a Lei no 8.918,

de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o
registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas.




Por: Marcelo Carvalho






Fontes:Ibravin/Miolo Group/Vinhos para iniciantes e inicados

domingo, 12 de agosto de 2012

Provignage: Um vinho pré-Filoxera





Provignage: Um vinho pré-Filoxera



Elaborado a partir de vinhas de Romorantin com mais de 160 anos!







   No final do século XIX, a Filoxera, um afidio amarelo minúsculo, espalhou-se pela Europa, matando todos os vinhedos num ritmo devastador, e se deslocando mundo a fora. A destruição dos parreirais foi tamanha que muito produtores acreditavam que os vinhedos estavam condenados e que o vinho iria desaparecer.

   Denominada inicialmente de Phyloxera Vastatrix (a devastadora). Mas hoje identificada como o inseto Dactylasphaera Vitifloliae, a Filoxera se alimenta das raízes da videira. Sendo nativas da América, convivia em certa harmonia com as videiras nativas, por isso ficou desconhecida por séculos. Contudo, as videiras européias e asiáticas mostraram-se suscetíveis, quando por volta de 1858 a 1860, parreiras nativas da América foram enviadas para o sul da França como experiência, a Filoxera até então desconhecida, pegou carona nas raízes.

   A Filoxera era tão fatal quanto misteriosa. Minúsculo demais para ser visto a olho nu, o inseto promoveu destruição de forma silenciosa. As parreiras amarelavam, murchava e depois pereciam lentamente. Às vezes quando as uvas conseguiam amadurecer, gerava um vinho fraco e aguado.

   Inúmeros defensivos foram tentados. Na França, por exemplo, os vinhedos foram ensopados de produtos químicos, inundados de água e até irrigados com vinho branco. Nada parecia funcionar. Somente 1868, o biólogo francês Jules-Emile Planchon e dois colegas descobriram por acaso um enxame de Filoxera sugando as raízes de uma planta é que suspeitou-se que a causa da morte das vinha poderia ser isto. Então em 1870, quanto o etomologo americano Charles Valentine Rile, confirmou a teoria de Planchon.Sabendo a causa dois viticultores franceses, Leo Laliman e Gaston Bazille, sugeriram a possibilidade de que a variedade de videira vinífera podia ser enxertada em porta-enxertos de videiras americanas, resistentes a Filoxera. Funcionou.

   Os vinhedos pelo mundo foram extirpados, parreira a parreira e replantados em bacelos americanos. Hoje em dia, a maioria dos vinhos mundiais provem de videiras que cresceram de raízes americanas.

   Porem em 1998, Henry Marionnet, considerado o “Papa do Gamay”, do Domaine de La Charmoise, ao receber uma oferta de “um vizinho camponês” exclamou: “Quem você pensa que eu sou? Um parisiense?”, a oferta tratava-se de um lote de 4 hectares de vinhas pré-Filoxera.  Pelo que foi abordado até aqui sobre essa terrível praga, não é difícil de imaginar o ceticismo e a desconfiança de Marionnet quando viu pela primeira vez essas plantas tão antigas!

   Se Fosse autenticas seriam um verdadeiro tesouro, talvez difícil de calcular em termos financeiros, mas ouro puro nas mãos hábeis de um vinicultor com conhecimentos históricos. Marionnet chamou especialistas e estes declararam que eram vinhas de Romorantin. Eles aceitaram como “provavelmente”  verdadeiros os indícios de que o vinhedo fora plantado em 1850 e sobreviveu a  crise da Filoxera em 1870. Então Marionnet comprou o lote e começou a vinificar o Provignage.

   A cepa utilizada trata-se da rara Romorantin, é um cruzamento entre as outras também desconhecidas Pinot Teinturier e Blanc Gouais, esta última muito promiscua, desempenhando um papel importante na origem de muitos dos atuais chamadas variedades nobres, incluindo Chardonnay, Aligoté, Gamay, Melon de Bourgogne, Petit Meslier, Colombard e até mesmo Riesling, bem como a variedade mais antiga Elbling. A cepa foi Trazida da Borgonha para o Loire, em 1519 pelo rei François I, segundo a tradição. Já foi uma das uvas mais cultivadas na região, Porem com o tempo foi perdendo terreno para as mais populares Sauvignon Blanc  e Chenin Blanc,  hoje está confinada à pequena denominação Cour-Cheverny,  na qual pelo que parece reina absoluta como única variedade permitida. Como o vinhedo que Marionnet fica fora de Cour-Cheverny ele engarrafa o Provignage como Vin de Pays du Jardin de La France.

   O nome Provignage refere-se ao método de propagação das videiras, utilizado antes da Filoxera, em que um galho da mesma era enterrado, enraizava e depois era separado da vinha-mãe, gerando uma nova planta independente. Um nome mais do que adequado.

   Longe de encantar somente pelo seu grande valor histórico que soa como poesia nostálgica, tem uma qualidade que esta à altura. De Cor amarela claro, aromas de flores, mel, pimenta branca, cevada e um toque de brioche, no paladar e complexo, viscoso, muita acidez e mineralidade, muito encorpado, um vinho robusto e muito persistente. Certamente inesquecível!

   Saber desse vinho me induziu a pensar que quando as vinhas foram plantadas, Napoleão III reinava sobre a França e  muitos fatos importantes aconteciam no mundo.



Alguns fatos ocorridos em 1850:





v  Lei Eusébio de Queiroz: Proibia a entrada de africanos escravizados no Brasil.

v  Descobriu-se ouro na Califórnia e teve inicio a Corrida do ouro, que acelerou ainda mais a marcha para o Oeste no Estados Unidos.

v  Califórnia tornou-se o 31º estado Norte-Americano.

v  Morreu o químico francês Louis Gay-Lussac







  Por:Marcelo Carvalho